Sou fã do Markl há muito, muito tempo. Lembro-me de ser pequeno e, ao ir no carro com a minha mãe, rir-me com o Homem que mordeu o cão. Ainda não entendia metade das piadas, mas já gostava de ouvir as aventuras mirabolantes daquele homem. Havia algo que me fascinava naquilo.Como ele próprio diz, não é o mais bonito, nem o mais musculado, nem o que teve mais namoradas. Apesar disso, consegue cativar os ouvintes com a sua voz e com o seu jeito de contar histórias. Já lhe achava e continuo a achar-lhe piada ainda hoje. Faz um humor inteligente e polite, o que faz com que tenha fãs desde os 8 aos 88. Comprei os livros, os CD's e tornei-me fiel ao Marklismo. Já lá vão quase 10 anos. Arrisco-me a dizer que, durante o meu 1º ciclo na escola, eu a minha mãe não perdemos um episódio daquela mítica série. Tornamo-nos Marklistas do 7ºdia. E do 6º, e do 5º...
Entretanto, e por influência do meu tio, descobri as criações do mestre Markl enquanto escritor. Fui "apresentado" aos textos escritos para Herman José, um mundo infindável de humor requintado e de nível "gourmet". Vi as Hermanias, os Herman Enciclopédias, o Herman 98, 99 e 00... Coisas absolutamente geniais que ainda hoje me provocam um riso infindável.
Anos depois, redescobri-o num projeto novo. Estava mais velho (ele e eu). O meu entendimento era maior, o que prometia mais risos com as histórias daquele senhor. O tema mudara e os companheiros de guerra também. Mantinha-se Pedro Ribeiro, o fiel escudeiro de Nuno Markl. Saíam Malato e Ana Lamy, para dar lugar a Vanda Miranda e Vasco Palmeirim. O tema era agora as memórias das infâncias dos nascidos na década de 70 e 80- Caderneta de Cromos. Tinha tudo para dar certo. Continuava a ouvi-los no carro. Agora já sem a minha mãe e comigo ao volante.
Achava difícil ter a projeção do HQMC, mas tinha-me decidido a dar o benefício da dúvida. Bastou um episódio e tornei-me fã. Fiquei absolutamente rendido, mais uma vez e anos mais tarde, à classe de Nuno Markl. Voltei a comprar os livros, os CD's, não fui ao espetáculo ao vivo por os bilhetes estarem esgotados (depois de 5 horas na fila). Renovei os meus votos como Marklista de 7ºdia. A Caderneta de Cromos tornou-se num fenómeno. Os 4 "magníficos" abriram os seus baús de memórias e tornaram os "cadernófilos" parentes chegados de cada um deles. Aqueles quatro tiveram 1000 e muitos episódios, esgotaram os Coliseus, escreveram livros, lançaram cd's, fizeram anúncios de TV e rádio, puseram miúdos e graúdos a rir juntos, criaram quase um álbum de música inéditas e... conseguiram trazer Ricardo Araújo Pereira, o "bom" gigante, e "lançá-lo" na Rádio. Tiveram o mundo radiofónico a seus pés. Tudo parecia bater certo.
No dia 19 de Setembro, aconteceu o impensável. A Caderneta acabou e vi "a minha vida a andar para trás". E agora? O que vinha aí? Que coelho sairia da cartola?
A resposta ser-me-ia dada no dia seguinte. Traquitanas, diziam eles. A história de muitas coisas que hoje são usadas, contadas de uma maneira engraçada. Não gosto. Não tem "suminho", nem um humor por aí além. Há demasiada informação para absorver e pouco espaço para o riso e para o humor de qualidade. Parece-me que Markl quer mudar de registo. Sou da opinião que todos os génios tem direito a um "deslize", a uma obra menos conseguida. Não acho que as Traquitanas sejam o melhor a fazer, mas cá estarei para mais um benefício da dúvida.
Até lá, continuarei a deliciar-me com as memórias da Caderneta e com as obras-primas de outro monstro do nosso humor escritas por Markl: Sr.Herman José. Mas sempre a admirar o génio que é Nuno Markl.

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