Cacharel cria e difunde campanha de marketing com história falsa
Artur Batista da Silva faz-se passar por falso funcionário da ONU
Cresci a ver Alves dos Reis na televisão, onde este enganou meio mundo e convenceu a outra metade. Os tempos mudam, mudam os burlões.
Em menos de um mês, a nossa estimada imprensa levou aquilo que se chama, na gíria, um baile. Utilizando a linguagem do futebol, já perde por 2-0.
A Cacharel abriu o marcador, com uma história no mínimo, estranha. Conseguiu, no entanto, criar ruído e fazer sair bastantes notícias. Teve a credibilidade beliscada, o que se deverá ter refletido no decréscimo das vendas de natal da marca. Mesmo assim, mantiveram-se, e bem, calados durante estes dias. Acredito que em janeiro lancem uma nova campanha, para repor a imagem. Apesar disso, considero que seja o mal menor destes dois casos. Uma história clássica de amor nunca fez mal a ninguém, nem mexeu muito no estado da nação. Fez sorrir uns, suspirar outras. Nada mais.
Agora, deixar que um individuo se faça passar por alto quadro da ONU? Isso sim, é grave. A ONU é dos organismos mais mediáticos na política mundial, eu sei. É certo que, para um jornalista, receber uma notícia com a chancela da ONU é quase sinónimo de a incluir na agenda sem que sejam feitas grandes verificações de fontes. No entanto, é preciso mais controlo.
Entristece-me o facto de, estando eu numa faculdade de Jornalismo, ver profissionais da área a fazerem gaffes tão grandes. Prefere-se o imediatismo e o caminho fácil ao trabalho de verificar as fontes, avançando-se assim com notícias frágeis. Se desde o 1ºano somos matraquilhados com a "verificação de fontes", é normal que cheguemos ao fim da licenciatura com isso bem interiorizado. Isso pensava eu, estou a ver que é mentira.
Este "presente"de Natal envenenado dos nossos órgãos de comunicação social veio provar as debilidades das nossas redações. As apostas no "corte a direito" em termos de pessoal começa a dar os resultados que, infelizmente, são tudo menos positivos. É certo que se torna mais atrativo economicamente. E o conteúdo? Perde qualidade e o nível desce abruptamente? Já não há o mínimo de preocupação em fazer algo credível?
Como já aqui disse, é necessário rever prioridades. Urgentemente.


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